Quando abandonar os modelos

Eu resolvi escrever esse post por que ontem eu cometi um erro. Eu opinei numa discussão de internet. Eu sei, podia ter ficado quieto, mas não resisti, foi mais forte que eu. Ainda bem que o debate ficou nas ideias e ideias não se magoam. No final das contas um pouco de flexibilidade aqui e ali e chegamos num bom entendimento.

O que me motivou a querer participar o debate nem foi tanto o tópico em si, uma debate se SAFe era ruim para agilidade ou não, embora quem me conhece sabe a minha opinião sobre o assunto. O ponto está mais relacionado ao apego emocional das pessoas aos seus métodos (ou metodologias ou frameworks… chame como quiser). Naquela discussão o argumento mais forte para defender o já mencionado método foi: as pessoas não o compreendem.

Perceba a sutileza na argumentação. O modelo (ou o seu guru idealizador) desenharam um tipo de modo de trabalho que é excelente em seu modo de pensar, que trará os resultados essenciais para que a sua organização/área obtenha os resultados necessários para prosperar. Porém existem aqueles que não compreendem a mensagem. Aqueles que não são capazes de captar a mensagem importante por trás daquele modo de trabalho, tão complexo em sua natureza que apenas poucos são capazes de absorver esse conhecimento e portanto menos ainda são capazes de o colocar em prática. A questão que levantei naquele debate e que pretendo deixar aqui para vocês é: se times atrás de times estão se perdendo em entender os meandros de como usar um método (seja ele qual for), onde estará o problema? Nas pessoas que são incapazes de perceber a iluminação de um mundo ideal ou modelo que de tão idealizado se desconectou da realidade das empresas? Modelos pré-definidos trazem em si uma certa “arrogância” em tentar estabelecer um padrão que o mundo deve seguir. A arrogância primeira existe em dizer que há um molde mestre que serve para todo tipo de ambiente para fazê-lo melhor. O segundo é a premissa de que vários aspectos daquela organização precisam ser mudados para seguir o modelo, mesmo aqueles que hoje não são um problema. Os incautos vão tentar, os espertos vão lucrar com a venda do sonho e cedo ou tarde vão se dar conta de que evoluir respeitando o seu passado é o melhor caminho, sem modelos prontos, resolvendo um problema de cada vez através de dados e informações que separem as crianças dos adultos.

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